Narcisismo e autoconservação

Alexandre Abranches Jordão

Resumo


Este artigo faz um pequeno apanhado histórico do surgimento e desenvolvimento de duas noções centrais no pensamento freudiano, narcisismo e autoconservação, ao longo de seu percurso teórico. Em articulação direta com as diferentes teorias pulsionais em Freud, demonstramos como a noção de autoconservação designa originalmente uma classe de pulsões – na primeira teoria pulsional – específicas do ego para, a partir da necessária revisão imposta pela introdução da pulsão de morte no espectro conceitual freudiano, denominar um destino pulsional específico, dentre tantos outros possíveis à sexualidade. O termo autoconservação passa a designar uma função egoica, não mais uma classe de pulsões. Neste contexto, não mais em oposição, mas habitantes do mesmo terreno comum das pulsões de vida, narcisismo e autoconservação deixam de ser sinônimos e passam a brigar entre si pelo próprio investimento libidinal objetal. As consequências que buscamos enfatizar no presente artigo abarcam algumas configurações psíquicas em que narcisismo e autoconservação tornam-se concorrentes, e em que o cuidado de si vê-se prejudicado – e muitas vezes impossibilitado – por este arranjo, franqueando o caminho para a livre atuação do masoquismo primário.

Palavras-chave


narcisismo; autoconservação; cuidado de si; pulsão

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Referências


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