Pensar é sempre representar? Sobre os limites da representação na psicanálise

Thais Klein, Julio Verztman, Fernanda Pacheco-Ferreira

Resumo


O trauma na obra freudiana pode ser concebido como um afluxo de energia que invade o aparato psíquico, impedindo-o de realizar o trabalho de pensamento. Trata-se de uma invasão pulsional que não pode ser elaborada, não pode ser pensada – como evidencia a noção de angústia automática em contraposição à angústia sinal. Sob esse viés, os sintomas traumáticos encontrados com frequência na clínica psicanalítica contemporânea atestariam uma derrocada do pensamento. Nosso objetivo é problematizar a assertiva de que o traumático é o impensável. Para tal, buscaremos subsídios em Ferenczi e Winnicott, procurando afirmar que pensamento e corpo são dimensões indissociáveis quando se trata do trauma.

Palavras-chave


trauma; pensamento; corpo

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